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Fies: O Sonho de Ingressar no Ensino Superior se Torna um Pesadelo Financeiro?

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Keisse Batista, uma jovem de 25 anos de Manaus, encontrou no Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) uma esperança para cursar ciência da computação. Estudando em escolas públicas durante toda sua vida, ela viu-se incapacitada de entrar em uma universidade pública devido à nota insuficiente no vestibular. Assim, viu-se forçada a se matricular em uma instituição privada, submetendo-se à dura realidade de financiar seus estudos através do Fies.

A ajuda veio com um financiamento de 350 reais mensais pelo Fies enquanto ela e sua família arcavam com os 100 reais restantes. Embora esse auxílio tenha sido crucial, o rumo da vida de Keisse tomou um trajeto inesperado com uma crise de lúpus, somada à pandemia e a perdas pessoais dolorosas. A soma desses fatores fez com que ela jamais retornasse às aulas, deixando-a com uma dívida de 14 mil reais e sem diploma.

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Qual é o impacto real do Fies para os estudantes brasileiros?

Historicamente, o Fies tem sido tanto um salva-vidas quanto um fardo para estudantes que, sem ele, não teriam outra forma de ingressar no ensino superior. Com o financiamento, muitos conseguem acessar as universidades, mas o preço vem na forma de uma dívida prolongada pós-formação – uma dívida que muitos lutam para pagar, especialmente quando enfrentam um mercado de trabalho volátil.

Os problemas estruturais do Fies

Apesar dos nobres objetivos do Fies, críticos apontam para a insustentabilidade do programa como método de democratização do acesso ao ensino superior. Uma auditoria recente do Tribunal de Contas da União trouxe à tona a falta de planejamento e objetivos claros para o Fies e o Prouni, destacando uma lacuna significativa em termos de metas de graduação e empregabilidade para os beneficiários dos programas.

Essa falta de direção não apenas obscurece a eficácia dos programas, mas também propaga um ciclo de endividamento sem uma clara saída para os estudantes. Isso fica evidenciado na história de Keisse e de muitos outros que, mesmo anos após a graduação, encontram-se presos a dívidas, sem os meios de pagá-las eficientemente.

Qual o futuro do Fies?

O governo federal tem tentado pôr em prática mecanismos de renegociação de dívidas, como a recente iniciativa que permitiu a Keisse entrar em um acordo para liquidar sua dívida. Todavia, essas soluções são apenas paliativas. Especialistas em educação, como João Marcelo Borges, sugerem que um monitoramento mais consistente e metas bem definidas são indispensáveis para medir e garantir a eficiência de programas como o Fies.

Assim, enquanto decisões e ajustes não são efetivados de maneira impactante, estudantes e ex-estudantes continuam a navegar em um mar de incertezas financeiras, com a esperança de que o ensino superior conduza a um futuro melhor, não apenas a mais dívidas.

O desafio permanece: é possível transformar o Fies em uma ferramenta mais eficaz e menos onerosa para os estudantes brasileiros? Somente o tempo dirá, mas a discussão é crucial para o presente e o futuro da educação no Brasil.